Javano toma uma curva em "Juncture": o que UKF nos ensina sobre um produtor que se recusa a se repetir

Entrevistas & retratos Jul 5, 2026Adicionar aos favoritos

Entrevistas & retratos

Na UKF, Javano anuncia uma mudança de direção para seu novo projeto "Juncture". Retrato rápido de um produtor em mutação e leitura do que essas mudanças significam para um artista de DnB.

A entrevista é curta, precisa, publicada no UKF em 3 de julho de 2026. Seis anos após seu primeiro álbum "The Drift", lançado pela Peer Pressure Records, Javano retorna com "Juncture" - e a curva que ele anuncia não é um ajuste interno ao drum & bass: é uma abertura assumida para a techno e a house, mantendo um pé no DnB. Eu não estava na sala quando a conversa aconteceu, então vou te apresentar o Javano como apresentaria a um amigo curioso: eis de onde ele vem, eis o que acabou de se mover, eis por que isso importa.

Quem é Javano

Javano faz parte dessa geração de produtores britânicos de DnB que emergiu no meio dos anos 2010. Seu primeiro álbum, "The Drift", foi lançado em 2020 pela Peer Pressure Records - um selo que construiu sua identidade em torno de um DnB rolling/liquid refinado, com espaço para melodia e voz. Sua assinatura desde então é reconhecível: rolling limpo, kicks que deixam a caixa clara respirar, atmosferas frequentemente quentes, vozes sampleadas tratadas com cuidado.

Ele não pertence a nenhum manifesto em particular. É mais o tipo de produtor que trabalha no seu canto, que lança quando está pronto, que pouco comentou publicamente, e a quem o UKF deu o tempo de uma conversa. O fato de uma revista especializada sentir que o momento chegou, muitas vezes vale a pena sinalizar.

"Juncture": uma virada para techno e house, sem sair do DnB

Este é o ponto central da entrevista do UKF, e não é uma hipótese: Javano explica ele mesmo que em "Juncture", ele experimenta techno, house e DnB no mesmo gesto. Portanto, não é:

  • Uma mudança completa (Javano não deixa o DnB - ele ainda está lá).
  • Nem um projeto acessório de techno/DnB como dois discos separados (a ambição é realmente fazer os gêneros caberem em um mesmo projeto).

É um produtor de DnB que decide, em seu segundo álbum, abrir sua paleta rítmica. Esse tipo de decisão é mais raro do que parece. Muitos produtores de DnB flertam com a techno em projetos paralelos (Alix Perez → 1985 Music em side de tech-house, Break com algumas incursões em techno, Ivy Lab que desliza para halftime e depois para beats não-DnB), mas poucos assumem isso em um álbum principal assinado por eles.

O que essa virada significa musicalmente

Sem ainda ter o disco em mãos, algumas hipóteses de leitura sobre o que "techno + house + DnB" significa na escrita de um produtor de DnB:

  • Queda de tempo assumida. Passar de 172-174 BPM (DnB) para 125-135 BPM (house/techno) obriga a reescrever a linha de baixo: menos de padrão break-driven, mais de four-on-the-floor.
  • Reescuta do kick. No DnB rolling de Javano, o kick é frequentemente colocado em um corredor preciso (sub bem apertado, punch moderado). Na techno, ele se torna central, mais amplo, mais dominante. É um verdadeiro gesto de produção.
  • Relação com a voz. A house e a techno pop têm uma relação com a voz diferente do DnB rolling - samples de soul mais longos, frases mais sequenciadas. Em um produtor que já usa a voz cuidadosamente, é um terreno de jogo natural.

O que essa virada significa para a cena

Duas leituras paralelas.

Uma leitura geracional. Os produtores que emergiram no DnB no meio dos anos 2010 estão entrando em seu segundo ciclo de álbuns. Muitos estão experimentando esse momento de "para onde vou depois de uma primeira assinatura reconhecida". Javano faz parte dessa onda.

Uma leitura de cena. O DnB de 2026 é atravessado por pontes techno (halftime que se torna adjacente à techno, sets B2B entre DnB e techno, festivais que alinham as cenas) e por pontes jungle (retorno massivo, remixes house-jungle). Um álbum do Javano que assume as três gramáticas é coerente com esse momento.

O que vamos acompanhar na DBN Link

Vamos acompanhar o Javano com duas perguntas em mente:

  1. Como o disco se mantém unido? Um álbum de techno + house + DnB pode funcionar (coerência de som) ou ser lido como três EPs justapostos. A audição vai decidir.
  2. Como o público DnB vai recebê-lo? Os headz DnB puros às vezes são reticentes às viradas house/techno de seus produtores. A Peer Pressure Records tem um público rolling/liquid que pode ficar perplexo, ou, ao contrário, pronto para seguir.

Enquanto isso, vá ler a entrevista do UKF - ela é curta, honesta, e Javano tem a simplicidade rara de não embrulhar sua mudança em dez linhas de storytelling. Já é enorme.

Fonte da entrevista: « Javano Is Choosing A Different Direction On Juncture », UKF, 3 de julho de 2026. Primeiro álbum de referência: « The Drift » (Peer Pressure Records, 2020).

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BakoInterviewer & portraitist
Jeanne "Jeanne B" Bakayoko conducts long interviews and portraits, both in French and English. A former intern at Kmag, she leads her interviews as conversations.
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