Full Cycle volta: Roni Size, Bristol, e a questão do timing

Nesta série : Bristol : 30 ans de jungle et héritage sound system· Capítulo 2/7

Selos Jul 6, 2026Adicionar aos favoritos

Selos

O selo bristoliano de Roni Size retoma suas atividades. Retrospectiva de uma trajetória que desenhou o drum & bass do final dos anos 90 - e o que significa "voltar" em 2026.

Contexto

Full Cycle Records não é um selo comum. Fundado em Bristol no meio dos anos 90 por Roni Size e seus cúmplices do coletivo Reprazent - DJ Die, Krust, Suv - é uma das casas que permitiu que um som bristoliano, carregado de cultura de sound system caribenho e de breakbeat, encontrasse uma existência discográfica coerente. O catálogo é o de uma escola: ritmos deep, baixos redondos, jazz sampleado, presença rítmica da jungle sem adotar sua velocidade pura.

O que lembra a trajetória

A sequência que fez Full Cycle é conhecida: por volta de 1997, o álbum New Forms de Reprazent ganhou o Mercury Prize, o que projetou uma cena até então underground para um público mais amplo sem que o selo perdesse seus códigos. Seguiu-se uma década em que Full Cycle e sua subsidiária Dope Dragon (criada para projetos mais ásperos) publicaram singles e LPs que ancoraram a assinatura de Bristol no gênero. Depois, a casa entrou em hibernação, como muitos selos dessa geração que não abraçaram o streaming e o ritmo de lançamento moderno.

O que significa "voltar"

Trazendo um catálogo histórico de volta à circulação não é neutro. Full Cycle reativado pode tomar várias formas: reedições de referências raras, abertura para artistas contemporâneos na voz do selo, ou simples manutenção do back-catalogue em digital. Nenhuma é equivalente à outra. Um selo que reabre apenas para capitalizar a nostalgia vira as costas ao que o fez - aquele que reabre engajando uma nova geração na voz bristoliana prolonga a escola.

Pistas de leitura

Três coisas valerão a pena de serem seguidas nos próximos meses. Primeiro, a maneira como a casa articula herança e novidade (reedições vs. novos lançamentos). Depois, o espaço que deixará para as vozes contemporâneas de Bristol - a cidade produziu toda uma geração pós-Full Cycle que seria uma pena ignorar. Finalmente, a questão do sound system: a cultura sound system é o que dá ao som bristoliano sua profundidade - um selo que a reivindica não pode se contentar em citá-la no presskit.

O retorno é um começo, não um fim. Vamos ver o que vem a seguir.

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